O (Des)Encantado Mundo de Natalia Kills em “Trouble”

Na última terça, 3, foi liberado em todo mundo tanto em iTunes como físico o novo disco da cantora inglesa Natalia Kills. Com nome “Trouble” o CD se propõe a mostrar um lado mais autobiográfico e humano da cantora, lançado pela Cherrytree Records, contém 13 faixas inéditas dentre elas os já singles: Problem e Saturday Night.

Diferente do primeiro trabalho de Kills, este extremamente pretensioso, Trouble mostra de forma descontraída todos os problemas e com isso acaba se tornando mais denso e simultaneamente mais leve que seu antecessor. O Artônico vai analisar faixa a faixa toda a jornada na vida desta problemática diva do dark-pop.

  • Television – A primeira faixa começa com uma introdução que possui desde barulho de sirenes a uma narração da própria cantora sobre o que está por vir. Uma autobiografia recheada de altos e baixos, depressão e alegria. Após uma pausa no instrumental, começa a bateria que já mostra uma sonoridade bem mais industrial do que qualquer música do Perfectionist, e de certa forma pode se assemelhar a uma canção da P!nk. Com um refrão forte e uma letra inteligente e divertida, o disco começa muito bem com Television. Nota: 8,5
  • Problem – Um som de sirenes policiais inicia a canção, que depois é sucedida de batidas pesadas e Kills entoando com sensualidade versos como: Sweat dripping down your chest /Thinking ‘bout your tattooed knuckles / On my thigh boy, boy, boy. A música foi o primeiro single de Trouble, e também já está na trilha sonora do filme “We’re The Millers” com Jennifer Aniston. É muito forte mas por suas batidas se torna menos comercial do que a letra, e até o próprio clipe, a cantora aqui peca pela falta de excessos no que diz respeito a variação rítmica. Nota: 7,0
  • Stop Me – A música com letra mais comercial de todo o disco é recheada de batidas tribais que remetem a “uma fera que sai da jaula”, e é assim que Natalia diz que se sente quando vai para uma noitada. A canção foi tocada pela primeira vez no ano passado quando a cantora se apresentou em uma boate gay no Estados Unidos, apesar de ser muito boa acaba soando levemente superficial demais em um disco que se propõe a  ser autobiográfico, mas acaba narrando uma parte da vida de Kills que sempre foi obcecada por festas e garotos. Nota: 7,5

 

  • Boys Don’t Cry – Com uma batida retrô deliciosa esta é definitivamente uma das melhores músicas do álbum. A letra fala sobre um certo desapego entre Natalia e seus garotos, entretanto simultaneamente soa como uma canção de amor. Com uma letra leve e batidas bem marcadas, a musicista mergulha em um clima que remete a tropical e anos 50. Nota: 9,0

 

  • Daddy’s Girl – Contendo o sample de Rich Girl de Daryl Hall & John Oates, esta é definitivamente a música mais leve e “fofinha” do álbum. Conta sobre como era a relação da cantora com seu pai e também sobre todo o dinheiro que a sua família tinha, o que transparece ainda mais uma relação bem incomum do que se chamaria de família, que parece ser muito capitalizada. Aqui novamente, Kills se lança sobre uma batida que remete ao retrô. Nota: 8,0

 

  • Saturday Night – Paradoxalmente, Daddy’s Girl é sucedida de uma das músicas mais tristes do álbum. Não triste pelo instrumental ou pelo vocal, mas pela parte que narra. Também já single como Problem (mas com muito menos alcance comercial), Saturday Night narra desde os excessos de uma vida como milionária (também narrado na canção anterior) até o momento em que seu pai foi preso e perdeu toda a fortuna. O tom triste na música se dá quando a cantora canta: You don’t know what it’s like to be seventeen with no place to go. É incompreensível como Natalia escolheu esta música, uma das mais pessoais de Trouble, para ser single. Ela é boa mas não chega a ser ótima e definitivamente não se encaixa como música de trabalho. Nota: 6,5 

 

  • Devils Don’t Fly – Com um nome forte e um refrão mais ainda, Natalia se entrega a primeira balada do álbum. A canção possui uma batida simples e diferente do resto do álbum, pois se assemelha a algum hip-hop comum. Com um vocal triste, ela narra de um amor impossível por talvez todas as razões da qual ela tenha citado antes no disco, como seu problema com festas, garotos, indecisão, família. É muito bonita e mostra um lado que em Perfectionist estava um pouco escondido, o de que Natalia sabe ser uma cantora muito emocional. Nota: 8,5

 

  • Outta Time – Após duas músicas bem emotivas, Natalia volta com os riffs de guitarra e uma batida retrô em uma música deliciosa. O assunto abordado é praticamente é o mesmo da canção acima, mas afirmando que ela não tem solução. A canção remete muito às músicas dos anos 60 e 70 e ao clima tropical, ao verão. É daquelas que você tem vontade de ouvir enquanto dirige um conversível atravessando o país pelas estradas. Nota: 8,0

    6~34
    “Tropical, cultural, rebelde, barulhento, por reunir tantos ingredientes em um só lugar que este é considera um dos melhores álbuns já lançados esse ano. “

 

  • Controversy – Lançada ano passado pela própria cantora, Controversy soa mais como uma segunda intro ao álbum do que como uma canção. Entoando diversos problemas do século XXI, palavras aleatórias e realidades duras de se aceitar, Natalia apresenta o seu catastrófico mundo, que mistura Disney com realidade, drogas com Mickey Mouse. Nota: 7,5

 

  • Rabbit Hole – Pegando carona na música anterior, esta também faz metáforas com o mundo encantado dos contos de fadas, dessa vez Kills mistura Alice No País das Maravilhas com a sua maneira de se apaixonar, narrando (de forma verídica ou não) um caso com um homem mais velho enquanto era adolescente. Divertida e bem sexual esta é definitivamente o hino do álbum para a maioria dos fãs. O sample se parece bastante com “Milkshake” da cantora Kelis (tanto que nos shows, a cantora mistura Rabbit Hole com Milkshake). É uma das melhores músicas do álbum! Nota: 10

 

  • Watching You – Retomando completamente seu primeiro disco, esta é uma canção que poderia estar facilmente em Perfectionist. O instrumental fica quase imperceptível ao poder e emoção da voz da Kills que fala de forma bem psicótica quando não pode ter um cara. Não chama muito atenção, mas não deixa de ser boazinha, é uma das mais fracas do álbum. Nota: 6,0

 

02~1
Em geral, Trouble é bem mais trabalhado e com melhor qualidade do que seu antecessor, mas como nem tudo são flores ele para compensar é bem menos comercial e talvez isso justifique um possível fracasso de vendas.
  • Malboro Lights – A faixa mais triste de Trouble é toda com instrumental de piano, e a voz de Natalia se sobrepondo levemente. O refrão é forte e não sai da cabeça, e a melancolia da canção é perceptível tanto no tom de voz quanto na letra. A música fala sobre as vezes em que a intérprete tentou se suicidar. É a mais bela balada que Kills fez em toda a sua curta carreira, de tirar lágrima dos olhos Malboro Lights claramente está incluída nos pontos altos do álbum. Nota: 10

 

  • Trouble – A canção que dá título ao disco não poderia se encaixar mais perfeitamente do que no encerramento. Com um refrão muito forte e chiclete, é uma música muito comercial e remete até a alguns sucessos da cantora Avril Lavigne na sonoridade. Gostosa e divertida, não poderia existir maneira melhor do que encerrar Trouble. Nota: 9,5

 

Em geral, Trouble é bem mais trabalhado e com melhor qualidade do que seu antecessor, mas como nem tudo são flores ele para compensar é bem menos comercial e talvez isso justifique um possível fracasso de vendas. Não é dessa vez que Natalia Kills irá emplacar diversos singles na Bilboard ou em top’s musicais, mas com uma evolução como esta que ela obteve no segundo álbum dá a ela o direito de tentar outra vez.

Tropical, cultural, rebelde, barulhento, por reunir tantos ingredientes em um só lugar que este é considera um dos melhores álbums já lançados esse ano. Ainda é muito cedo para decidir qual é o melhor, mas de qualquer jeito, a batalha vai ser difícil com Natalia Kills no páreo.

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